quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Os Bons e os Maus

 Nós, humanos, somos incluídos naturalmente em distintas tipologias básicas: Caucasoides: (pele clara). Mongoloides: (pele amarelada ou parda) e Negroides: (pele escura). 

Obviamente, nesta elementar classificação temos uma ampla diversidade em cada uma delas. Além disso, algo muito mais importante reside na personalidade das pessoas, o que rompe com a limitada classificação citada. Pois que estas variantes físicas (fenótipos) incluem fatores ambientais, sociais, culturais e até predisposição genética. 
Como nenhuma destas (ou de outras) é dominante, pois dentro da superficialidade de aparência, qualquer pessoa pode alterar sua identidade no modo de pensar, sentir e agir, a qualquer tempo. 
Estas características, sim, fundamentam nossas escolhas e o modo como interagimos com nossa família, comunidade e com o mundo.

Assim, temos distintos traços de personalidade (e alguns acumulam partes de outros), quais sejam: Abertura, Conscienciosidade, Extroversão, Neuroticismo e Amabilidade (estes tendem a serem mais altruístas, empáticos e cooperativos). 
E, dentro desta rotulagem de âmbito conceitual, encontramos moldagens alicerçadas pela vivência (o tempo), que nos proporciona a experiência, muito bem explanada na Tabula Rasa de John Locke. (filósofo inglês 1632 – 1704), onde cita que a bondade ou maldade são resultados das nossas escolhas diárias. 


Uma corrente filosófica paralela, complementar e não contraditória, do Søren Kierkegaard (dinamarquês 1813 – 1855) salientava a angústia, subjetividade e a fé como potentes determinantes individuais.
Desta maneira, baseado em tantas vertentes, imagino que a manifestação individual é caracterizada em muitas variantes, num gradiente amplo e repleto de competentes atores, capazes de persuadir seus pares. E estes, são potentes vetores para disseminar quaisquer destas atuações, de maneira exponencial.
Ou seja, colocando em uma longa escala de itens e subitens, teremos num extremo os canalhas (com aparência e comportamento inconfundível) e, no limite oposto, os benevolentes e altruístas (com clara demonstração destas sublimes qualidades).

Então imaginemos a incomensurável existência de pertencentes e contidos entre estes extensos limites.
Seria muito simples, classificar estas pessoas em parâmetros rígidos, colocando as “boas” como sorridentes, dando pão a quem tem fome, consolo às que choram, participando ativamente em organizações beneméritas, etc... Dedicando-se a oportunizar a evolução de seus semelhantes, sejam crianças, adolescentes ou adultos, para que estes possam também crescer e contribuir para uma sociedade próspera, um mundo melhor, não apenas financeiramente, mas ética e moralmente. 

E as “más”, que matam criancinhas, seja por aborto – impedindo que nasçam – ou metendo-as pós nascidas num saco e jogando no lixo.
Ou o equivalente, corrompendo jovens aos desvios de conduta, mergulhando-os nos mais variados vícios, sejam drogas líquidas, sólidas ou virtuais.
Não são apenas infanticidas - criminosos pelas frias leis dos homens – mas estes impedem que um ser, não menos humano, exista, desenvolva e evolua, semeando a almejada paz, tais como os raros elogiáveis exemplos que sabemos.
Sim, estes extremos existem e presenciamos diariamente.

A história antiga relata que Herodes, um suposto rei da Judéia, subordinado ao imperador romano Cezar Augusto teria mandado os soldados matar todas as crianças com menos de dois anos. Verdade ou não, relatos consagrados e extrabíblicos esclarecem seu pendor e citam que ele matou duas esposas e três filhos.

Esta narrativa que tanto nos impressiona ao ouvi-la nos cultos e missas, tem sido trivial, rotineira atualmente, bastando acessar os meios de comunicação e considerando a insana ganância de que algumas emissoras de televisão que elevam o preço das propagandas nos intervalos dos programas que relatam tais desgraças.

E dentro daqueles limites citados lá no início, uma infinidade de elementos estão ali contidos.
Classifico, nesta longa “coleção” de categorias, uma em especial: a dos pervertidos. São pessoas com caráter e comportamento corrompido, embora sob um véu dissimulado. São estas, capazes de planejar e executar malignos convencimentos às outras, sugestionáveis, persuadindo-as a transmitir informações maliciosas e sádicas sobre terceiros.

Assim, abrigadas sob o aparente manto de complacência, valem-se de ingênuos “comissários” (terceiros), que vão alardear e convencer outros, disseminando injúrias e calúnias, difamando alguns escolhidos, os quais muitas vezes passam a serem rejeitados pela sociedade sem saber da carga oculta que lhe alvejam por trás, em intencional cilada.

Pois, em minhas oito décadas de vivência, conheci inúmeras pessoas, e dentre estas, algumas demonstram a mais perfeita bondade, mascarando sua índole má. Outras, ao inverso, sisudos, manifestam uma aparente malquerença, mas seu histórico revela uma patente demonstração altruística.

Dentro do encadeamento difamatório, o envolvimento de pessoas transmissoras é imenso, baseando-me na premissa de que a notícia ruim é mais bem absorvida e envolve cada vez mais “interessados”.
Mais do que apenas injuriar semelhantes, na pérfida e prazerosa intenção de maldizer, ignoram as consequências de influir na evolução do visado cidadão em seu meio social.

Por vezes, e raramente flagrados em claro exercício difamatório, justificam possuir transtornos bipolares, supostamente decorrente de predisposição genética, reações medicamentosas e até fatores socioambientais.

Alegam também situações de forte tensão, traumas por qualquer abuso ou má orientação na infância, dependência constante de drogas, etc..
Cenários estes que atenuam suas penalidades (quando aplicadas) mas não colaboram nos nefastos resultados ocorrentes.

Acredito que estes crimes são tão graves como os repulsivos e hediondos citados de matar criancinhas, porém, pela impossibilidade de respaldo em comprobatória prova física, não possuem claro amparo legal de punição.

Assim, presentemente vivemos num mundo de furtivos vândalos que, com potentes armas invisíveis, corroem o desenvolvimento evolutivo de indivíduos que poderiam proporcionar um mundo melhor, incluindo o deles.
E são estes, os sutis ardilosos que demonstram possuir um “gene” que sente prazerosa necessidade de aflorar de tempos em tempos a traquinada desumanidade, tal um mamífero aquático em sua intermitente carecia de emergir para respirar.

Vivem estes numa demonstrada e ilusória alegria, na sua limitada consciência baseada no sinistro prazer de convencer outros a navegar no mar da difamação, contemplando o sucesso de sua bestial malignidade.

Obviamente, acredito que nós, como receptores, deveríamos proteger nossos “filtros de conexão”, pois aquelas informações mentirosas, embora tão bem elaboradas, podem conspurcar tantas boas relações sociais antes mantidas durante nossa vida pregressa.

Prof. Darlou D’Arisbo
darisbo47@gmail.com